Sai do trabalho e sentamos em qualquer lugar pra tomar uma bebida despretenciosa que jamais nos levaria pra cama. Sento na sua frente de um jeito diferente que elas sentariam. Elas olhariam com um olhar cheio de intenções mal resolvidas. Eu não. Eu só tenho uma vontade boba de chegar o nariz no seu pescoço e sentir aquele cheiro de malbeck com cigarro, cheiro de perigo com pitada de sutileza. Cheiro outro que senti nas escadarias da faculdade e fiquei igual uma idiota fungando o nariz pra sentir ele mais de perto.
Ele é um menino. Que veste roupa de homem, roupas que tem cheiro de perigo.
E a gente dói junto. Dói rindo, porque é uma dor do mundo. Esquecemos rapidinho que a gente se tem pra não se ter. E se despede fingindo que amanhã a gente não se tem, tendo.
Tem coisa melhor? Tem, TER. Mais fingir que não, é bom. E tem também aquele cheiro aquele cheiro seu que gruda sem querer.
Mas por enquanto eu vou tendo sem te ter, vou amando sem amar. Vou fingir que tudo teria exatamente a mesma graça se meu coração não disparasse de um jeito acelerado e calminho quando você me liga pra falar tudo e não dizer nada.
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